
Roseana Farias Souza Brito, moradora de Jequié, deu entrevista à reportagem do Ipiaú TV contando o desespero sobre o estado de saúde da sua filha Maria Eduarda Souza, de 7 anos.
Tudo começou no dia 21 de março de 2024. A criança apresentou dor de cabeça e na nuca, que resultaram na paralisia do lado esquerdo do corpo. Ela foi levada ao Hospital Prado Valadares, em Jequié, onde passou por ressonância, tomografia e outros exames, mas sem diagnóstico conclusivo. Após cinco dias internada, recebeu alta, mas as dores persistiram.
Em 21 de outubro do mesmo ano, os sintomas pioraram, incluindo febre alta, vômitos e convulsões. Novamente, Maria Eduarda foi levada ao Prado Valadares, sendo medicada e liberada. No dia seguinte, retornou ao hospital, onde os médicos suspeitaram de meningite crônica e a colocaram na fila de regulação. Em 27 de outubro, foi transferida para o Hospital Martagão Gesteira, em Salvador, onde ficou internada por 10 dias. No entanto, durante sua estadia, apenas coletas de urina e sangue e um ultrassom do rim foram realizados. Sem diagnóstico preciso, Maria Eduarda voltou para casa, mesmo com as dores persistindo.

Roseana continuou buscando atendimento para a filha, mas encontrou diversas barreiras. No Hospital Couto Maia, em Salvador, foi negado o procedimento de coleta de líquor, sob alegação de que o hospital só realizava o exame via regulação. Apesar das tentativas, o pedido foi recusado três vezes. Ao retornar ao Prado Valadares, a coordenadora da pediatria tentou dar alta novamente à criança, alegando que os exames não indicavam nenhuma anormalidade. Diante da negativa de atendimento, Roseana se recusou a aceitar a alta e ameaçou levar o caso ao Ministério Público.
As imagens analisadas mostram registros de negações de atendimento em hospitais como o Hospital Geral do Subúrbio (HGS), Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), Hospital Martagão Gesteira e Hospital Municipal de Salvador. Os principais motivos para a recusa foram superlotação, ausência de vagas disponíveis e falta de especialidade para o caso.

A solicitação de regulação foi compartilhada com diversos hospitais, incluindo o Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES), Hospital Geral Roberto Santos e Hospital do Subúrbio. No entanto, todas as tentativas foram frustradas e a paciente não conseguiu acesso a um leito adequado. Além disso, o Hospital Couto Maia recusou atendimento por não contar com a especialidade necessária para o acompanhamento neurológico da criança.
As imagens também revelam que a superlotação é uma das principais barreiras para o atendimento. Hospitais como o Materno Infantil Dr. Joaquim Sampaio, em Ilhéus, registraram negativa por excesso de pacientes internados. A situação é semelhante no Hospital Manoel Novaes, em Itabuna, onde a estrutura foi considerada inadequada para o atendimento necessário.

Desesperada, Roseana recorreu às redes sociais, divulgando vídeos relatando a dor e a luta da filha. No dia 22 de março de 2025, após uma nova publicação expondo a situação, a coordenadora do Prado Valadares exigiu a remoção do vídeo, ameaçando processá-la e chamar a polícia. Roseana, no entanto, recusou-se a apagar o conteúdo e afirmou que não se calaria diante do descaso.
“Estou pedindo às autoridades que possam se sensibilizar pelo estado que minha filha está e possam resolver essa situação. Precisamos conseguir uma regulação para minha filha, pois ela sofre demais. Não quero ser mais uma mãe cuja filha passa mal, vai para o hospital, recebe apenas dipirona e volta para casa sem um diagnóstico definitivo. Clamo por socorro para conseguir um atendimento adequado o mais rápido possível”, desabafou Roseana.
A família segue no Hospital Prado Valadares, em Jequié, aguardando uma solução para o caso de Maria Eduarda. * Redação Ipiaú TV