
Em entrevista concedida ao Ipiaú TV, a diretora-geral do Hospital Geral Prado Valadares (HGPV), em Jequié, enfermeira Ana Paula de Assis Camargo Lacerda, fez declarações contundentes sobre a situação da saúde pública no município, apontando falhas estruturais na atenção básica e criticando a dependência da gestão municipal em relação à rede estadual.
Durante a conversa com o repórter Cristiano Quaresma, a gestora destacou que o hospital, referência regional em urgência e emergência, vem absorvendo uma demanda que, segundo ela, deveria ser atendida pelas unidades básicas de saúde de Jequié.
“Jequié não tem atenção básica. As unidades de saúde não funcionam como deveriam funcionar”, afirmou.
Segundo Ana Paula, a ausência de estrutura adequada no município impacta diretamente no aumento de casos graves atendidos no hospital. Ela citou como exemplo o crescimento de amputações decorrentes de complicações de diabetes e casos de infarto relacionados à hipertensão, que poderiam ser evitados com acompanhamento básico.
“Vai na unidade de saúde e não tem remédio para diabetes. Vai e não tem remédio para pressão. Isso tudo vai repercutir dentro do Prado Valadares”, disse.
A diretora também apresentou dados para reforçar suas críticas, afirmando que o perfil de atendimento do hospital está distorcido. De acordo com ela, cerca de 80% dos atendimentos realizados atualmente são classificados como de baixa complexidade — casos que deveriam ser resolvidos no âmbito municipal.
“O Prado é hospital de urgência e emergência, mas hoje 80% do meu atendimento é ‘verde’, que não é perfil do hospital. É demanda do município”, destacou.
Em outro momento da entrevista, Ana Paula foi ainda mais incisiva ao afirmar que a maior parte da assistência em saúde atribuída ao município de Jequié é, na prática, executada pelo Governo do Estado.
“Hoje, 89%, para não falar 100%, é do Estado. A responsabilidade é do Estado e quem assume é o Estado”, declarou.
Ela citou ainda que estruturas como UPA, hospital e policlínica são mantidas pelo Estado, questionando a efetiva participação da gestão municipal na prestação dos serviços.
Apesar das críticas à administração local, a diretora fez elogios à atuação do Governo do Estado, destacando investimentos e ampliação da rede de atendimento no interior da Bahia, especialmente em áreas como oncologia.
A entrevista repercute em meio a debates sobre a eficiência da gestão pública em Jequié, reacendendo discussões sobre responsabilidades administrativas e a divisão de competências entre município e Estado na área da saúde. * Redação Ipiaú TV

















