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Itabuna: Lojistas enfrentam lama e baronesas

por suporte

Lama, baronesas, móveis revirados e estragados. Esse foi o cenário encontrado pelos lojistas da Avenida do Cinquentenário e da rua Paulino Vieira, as principais do comércio de Itabuna. O local ficou debaixo d’água na madrugada de sábado e no domingo.

Os empresários e suas equipes passaram a manhã desta segunda-feira limpando as lojas, enquanto a Prefeitura de Itabuna fazia um mutirão para retirar a lama e o lixo do meio da rua e das calçadas. Aos poucos a área vai voltando ao normal. As lojas chegaram a ficar com água no meio da parede e muitos perderam todo o estoque.

O empresário André Nogueira, da Baytech, conseguiu levar a maior parte dos equipamentos para o segundo andar ainda no sábado, mas a loja foi tomada por água, lama e baronesas. “Nós começamos a arrumar tudo assim que a água baixou, porém ainda não sei estimar os prejuízos. Graças a Deus, salvamos muita coisa”.

Segunda pior da história

A enchente deste ano só tem similar na de 1967, que foi ainda mais grave. Desta vez, a água subiu menos, mas foi o suficiente para deixar um rastro de destruição. Nas ruas próximas ao Rio Cachoeira, as casas chegaram a ficar quase totalmente submersas.

 

As avenidas Princesa Isabel, Aziz Maron, Mário Padre e Fernando Cordier foram tomadas pela água e ficaram intrafegáveis. As pontes que ligam o centro aos bairros Goes Calmon e São Caetano foram cobertas e boa parte da cidade ficou sem energia elétrica por várias horas.

Mais de 1.500 famílias ficaram desabrigadas ou desalojadas na cidade, segundo o prefeito Augusto Castro. Ele esteve nesta segunda na Avenida do Cinquentenário para acompanhar a limpeza e vem seguindo a assistência às famílias que perderam móveis, eletrodomésticos, roupas e a própria casa.

Os canis da ONG Bicharada foram destruídos pela água e dezenas de animais precisam de ajuda. A Emasa foi obrigada a interromper o fornecimento de água para vários bairros. Sem comunicação, é grande o número de pessoas desaparecidas.

As 48 horas de chuva intensa despejaram 140 mm de água em Itabuna, dez vezes mais que um dia chuvoso normal. O número de famílias desabrigadas ou desalojadas passa de 1.500. Bairros como Mangabinha e Nova Itabuna ficaram totalmente inundados.

Solidariedade

O lado positivo é a grande onda de solidariedade, com centenas de pessoas e entidades se mobilizando para doar dinheiro, roupas, cobertores, remédios, sapatos ou sua própria mão-de-obra. Grupos de estudantes fizeram vaquinhas e a Igreja Batista Teosópolis distribuiu mais de 1.200 refeições aos desabrigados.

Um grupo de adeptos de Jet Ski ajudou a resgatar dezenas de pessoas no Banco da Vitória e no loteamento Cidadelle, que ficou completamente alagado, por estar quase no mesmo nível do rio Cachoeira. Alguns moradores tiveram que ser retirados por helicóptero.

Em Ilhéus, os moradores do Joia do Atlântico, na zona norte, passaram a madrugada salvando o que puderam de suas casas, depois do transbordamento do Rio Almada. Todos os acessos estão bloqueados e eles ficaram ilhados. Também não passa ninguém pela estrada vicinal que dá acesso a Sambaituba.

A BR-415 continua interditada pelo transbordamento de um riacho próximo à sede regional da Ceplac e o de outro riacho, nas proximidades do Hospital Regional Costa do Cacau. Por outro lado, a BR-415 já foi liberada entre Itabuna e Ibicaraí, assim como a BA-262 que liga Ilhéus a Uruçuca.

Repúdio em Ilhéus

Uma decisão da Prefeitura de Itabuna que causou revolta em Ilhéus foi a limpeza das avenidas que margeiam o Rio Cachoeira. Um vídeo circula nas redes sociais mostrando funcionários municipais usando duas pá-carregadeiras para jogar as baronesas de volta ao rio, transferindo o problema para a cidade vizinha.

A Câmara de Vereadores aprovou uma Nota de Repúdio ao prefeito de Itabuna, Augusto Castro, por “recolher as baronesas, entulhos e outros resíduos sólidos da cidade de Itabuna e jogar de volta ao Rio Cachoeira de modo que toda a sujeira venha desembocar em Ilhéus”.

“Esse ato, além de imoral é completamente egoísta, pois tira o problema de Itabuna e transfere para Ilhéus. Assim, nós, vereadores, repudiamos veementemente essa conduta lesiva ao nosso município, e requeremos ao Prefeito de Itabuna que dê outra destinação aos resíduos que estão retirando das vias da cidade de Itabuna e devolvendo para o Rio Cachoeira, sob pena das medidas judiciais cabíveis aplicáveis ao caso”.

A Região

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